Um dia igual aos outros

Confesso que me é um pouco difícil escolher uma descrição para este livro, temo-lo tratado como um projecto mas falta algo na descrição desta palavra, como se a palavra “projecto” não tivesse riqueza suficiente no seu conteúdo que retratasse bem o que é “Um dia igual aos outros”.

 

 

 

 

Assim de agora em diante, neste texto, chamá-lo-ei de o “Livro”, com L grande em equivalência aos que neles participaram.

 

 

 

 

 

 

Todas as causas têm o seu propósito e a nossa não era diferente, queríamos proporcionar algo que fosse palpável e que relembrasse todos os dias que as pessoas ditas “diferentes” são tão iguais e melhores que as pessoas “normais”, queríamos mais que tudo que não tivesse a escrever a palavra “normal e diferente”.

 

 

O diferente assusta as pessoas normais, que não veem beleza no que é fora do vulgar, isso, infelizmente, acontece com a maior parte das pessoas muitas vezes.

 

 

 

 

 

 

 

É fundamental que todos vejam o quão é bom ser diferente, o quanto é bonito e quanta felicidade o diferente pode adicionar às nossas vidas.

 

 

 

 

 

 

No primeiro dia que visitei a APPACDM, a associação com que trabalhámos a par a fim de produzir este Livro, foi para mim um pouco difícil confesso, no entanto não da forma como poderão pensar. Foi difícil segurar as lágrimas, ai se foi, lágrimas mas de felicidade.

 

 

 

Nunca havia pensado como aqueles jovens podiam ser tão felizes, foi como um choque de realidade mas principalmente de ignorância, de repente todos soltavam gargalhadas por nos verem ali, a querermos penteá-los, maquilha-los e fotografa-los.

 

Numa das alas do Centro existe um cartaz com os sonhos de cada um, essa foi uma das partes mais importantes, ver como seria tão simples poder tornar o sonho de alguém real doí, doí no coração pensar porque será que afinal nós que estamos sempre tão embrenhados na nossa vida, sempre a correr, poderíamos fazer a diferença na vida de alguém e ser tão mais feliz com isso do que com outras coisas.

Todos estavam nas suas rotinas, tal como em qualquer outro local, e a alegria com que as faziam era invejável.

O nó na garganta foi desapertando com os abraços e no fim da nossa visita pouco restava dele.

Toda a preparação, desde cabelos, make-up, styling e fotografias foram feitas no nosso espaço, e no primeiro dia de produção antes de chegar o primeiro grupo havia alguma ansiedade na equipa, uma ansiedade quase equiparada a um primeiro encontro, em que queremos que esteja tudo perfeito, que se sintam bem connosco e acima de tudo que gostem de nós.

 

Essa ansiedade desapareceu assim que passaram a porta e nos cumprimentaram, uns mais tímidos, outros mais efusivos, com abraços e beijos.

A mudança que fizemos foi mínima, mas a maior parte parecia pessoas completamente diferentes, mesmo a nível de personalidade, de repente tornavam-se pessoas extrovertidas, que riam alto, que brincavam e sorriam, apenas porque lhes demos toda a nossa atenção sem querermos atenuar nada que lhes fosse característico.

Levantámos o som da música e dançámos, dançámos todos como se ninguém visse, partilhámos momentos com eles que nunca nos iremos esquecer.

 

E foi tão bom puder ser parte deste Livro, puder fazer a diferença na vida de alguém ajudando a que todos os dias sejam mais felizes e mais confiantes neles e nas suas capacidades.

Na nossa vida tiveram um impacto gigante, deitando por terra o que não interessa e ajudando-nos a dar importância ao que realmente importa, e a felicidade está, afinal, tão perto…